António Candeias toma posse como reitor da Universidade de Évora e promete “novo ciclo marcado por confiança”

O novo reitor da Universidade de Évora, António Candeias, tomou hoje posse numa cerimónia solene realizada na Sala dos Atos, onde defendeu uma universidade “pública, autónoma, responsável e de matriz não fundacional” e apelou à união da academia para enfrentar os desafios do ensino superior e do território alentejano.

A cerimónia começou após o Cortejo Académico percorrer os Claustros ao som do “Gaudeamus Igitur”, interpretado pelo Coro da Universidade de Évora, seguindo-se intervenções da reitora cessante, Hermínia Vasconcelos Vilar, da presidente da Associação Académica, Ana Beatriz Calado, e do presidente do Conselho Geral, Carlos Reis. Os momentos musicais estiveram a cargo da Escola de Artes da universidade e do Coro da instituição.

Na sua intervenção de despedida, Hermínia Vasconcelos Vilar agradeceu o “apoio e empenho” da comunidade académica e destacou os principais resultados alcançados durante o mandato, sublinhando o aumento do número de estudantes inscritos, que ultrapassou pela primeira vez os 10 mil alunos no ano letivo 2024/2025.

A reitora cessante salientou também o reforço da posição da academia alentejana na rede nacional de ensino superior, o incremento do número de docentes e investigadores e a diversificação da oferta formativa.

Por sua vez, Ana Beatriz Calado afirmou que a universidade vive um momento em que “celebramos hoje o presente, projetamos o futuro e respeitamos o passado”, defendendo que o ensino superior exige instituições capazes de acompanhar a transformação digital, a inovação científica e as mudanças do mercado de trabalho.

A dirigente estudantil considerou ainda que a Universidade de Évora é “uma universidade de excelência, com um impacto real no território e com um papel fundamental no desenvolvimento do Alentejo”, acrescentando que “estar no interior não é uma limitação”.

Já Carlos Reis destacou as “qualidades inquestionáveis” de António Candeias, referindo-se ao novo reitor como “académico prestigiado”, “investigador reconhecido internacionalmente” e profundo conhecedor da instituição.

O presidente do Conselho Geral enumerou também seis prioridades para o novo ciclo de governação da universidade: a exigência, a ética universitária, a responsabilidade social da instituição, a luta contra o centralismo, a valorização da memória ativa e o combate à burocracia.

Durante a cerimónia, António Candeias conferiu posse à nova equipa reitoral. Como vice-reitores tomaram posse Ausenda de Cáceres Balbino, para o Património, Infraestruturas e Assuntos Internos, Cristina Dias, para o Ensino e Inovação Pedagógica, António Sáez Delgado, para a Cultura e Sociedade, e Rui Salgado, para a Investigação e Inovação.

Foram ainda empossados os pró-reitores Elisa Bettencourt, Elsa Lamy, Gertrudes Guerreiro, António Anjos, Carlos Vieira, Leonel Alegre, Nuno Pedroso e Pedro Madureira, além de José Biléu Ventura como administrador da universidade.

No primeiro discurso como reitor, António Candeias afirmou assumir o cargo “com profunda honra, sentido de responsabilidade e sincera humildade”, defendendo que governar uma universidade “é, antes de tudo, escutá-la”.

“A Universidade de Évora é uma história longa de pensamento, de liberdade, de criação e de serviço. É uma casa de Democracia”, declarou.

O novo responsável garantiu que pretende ser “reitor de todas e de todos”, sublinhando que a instituição “é maior do que qualquer candidatura, maior do que qualquer equipa, maior do que qualquer circunstância”.

António Candeias defendeu ainda uma academia mais próxima da sociedade e do território, considerando que a investigação desenvolvida deve chegar “às políticas públicas, às empresas, às instituições, às comunidades”.

“A Universidade de Évora não pode ser espectadora. Tem de ser protagonista”, afirmou, acrescentando que a missão da instituição “não é apenas adaptar-nos ao futuro. É ajudar a construí-lo”.

Dirigindo-se ao ministro da Educação, Ciência e Inovação, o novo reitor alertou para o “subfinanciamento crónico” das universidades públicas portuguesas e apelou aos deputados da Assembleia da República para que o ensino superior e a investigação científica sejam assumidos como “uma prioridade nacional”.

O novo ciclo reitoral terminou com uma sessão de cumprimentos no Claustro e um ‘cocktail’ no antigo refeitório, acompanhado por atuações de grupos académicos, do Grupo de Metais e do Grupo de Jazz da Escola de Artes e de cantares alentejanos.

Os resultados da eleição de António Candeias para reitor da Universidade de Évora foram conhecidos em 30 de março, após reunião deliberativa do Conselho Geral da instituição.

António José Estevão Grande Candeias, de 58 anos, é professor catedrático do Departamento de Química e Bioquímica da Universidade de Évora, especialista em Química de Superfícies e Ciências do Património e fundador do Laboratório HERCULES. Foi vice-reitor para a Investigação e Desenvolvimento entre 2018 e 2022 e dirigiu o Instituto de Investigação e Formação Avançada da academia alentejana.