A Guarda Nacional Republicana (GNR) reforçou o dispositivo de vigilância, patrulhamento e deteção de incêndios rurais em todo o território continental devido ao agravamento das condições meteorológicas previstas para os próximos dias, marcado pela subida das temperaturas, vento forte e redução da humidade relativa do ar.
Em comunicado, a GNR anunciou a ativação de um reforço especial de meios humanos e tecnológicos, no âmbito da Diretiva Integrada de Vigilância e Deteção de Incêndios Rurais (DIVDIR), com o objetivo de prevenir ocorrências, proteger populações e salvaguardar o património florestal nacional.
A operação prevê o aumento do patrulhamento em zonas florestais e agrícolas, mobilizando as valências Territorial, de Proteção da Natureza e Ambiente (SEPNA), Trânsito e Investigação Criminal, com especial incidência nas áreas consideradas de maior risco.
Entre as medidas adotadas destaca-se o empenhamento diário de cerca de 210 patrulhas móveis, reforçadas pela participação da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS) e pelo reposicionamento de meios para as regiões mais vulneráveis.
A GNR conta ainda com o apoio das Forças Armadas, através da integração de 20 patrulhas adicionais, dez das quais destinadas à zona afetada pela tempestade Kristin, enquanto as restantes serão distribuídas por vários distritos do país.
O dispositivo inclui também a monitorização permanente de cerca de sete milhões de hectares através de 147 torres de videovigilância florestal, o funcionamento de 80 postos de vigia operados por 320 vigilantes e a atuação de 23 Equipas de Manutenção e Exploração de Informação Florestal, compostas por 140 militares especializados.
A vigilância será complementada pelo recurso a drones da UEPS e por uma aeronave não tripulada da Força Aérea, em articulação com a Guarda.
Desde o início do ano, a GNR realizou 22.954 patrulhas de vigilância e deteção de incêndios rurais, às quais se juntam 4.151 ações efetuadas pelas restantes entidades do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais, num total de 27.105 operações.
Segundo a Guarda, estas ações permitiram identificar 718 suspeitos e deter 120 pessoas pelo crime de incêndio florestal. No mesmo período foram registados 3.588 incêndios rurais.
A análise das causas investigadas indica que 59,7% dos incêndios tiveram origem no uso negligente do fogo, sobretudo em queimas e queimadas, enquanto 11,6% resultaram de ação intencional. As restantes ocorrências tiveram origem em causas indeterminadas, acidentes, reacendimentos ou fenómenos naturais.
A GNR recorda que, nos dias em que o perigo de incêndio seja classificado como muito elevado ou máximo, são proibidas atividades como a realização de queimadas, o uso de fogo em espaços rurais, o lançamento de foguetes e a utilização de maquinaria sem os dispositivos de segurança legalmente exigidos.
A força de segurança apela à colaboração da população na prevenção dos incêndios rurais e mantém disponível, 24 horas por dia, a Linha SOS Ambiente e Território para esclarecimento de dúvidas e denúncia de infrações.
